El Niño deve durar até 2027 e ter impactos severos no Brasil
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um novo alerta nesta quinta-feira (3/9) sobre o fortalecimento do El Niño e pediu que os países se preparem para os impactos do fenômeno. O evento climático, que já é considerado de grande intensidade, deve provocar ondas de calor, estiagens e precipitações volumosas em diversas regiões do planeta nos próximos meses.
Alerta global e ciência apontam para aquecimento recorde
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em nota que o El Niño está ganhando proporções enormes e que o mundo enfrenta um cenário inédito. “O planeta está entrando em águas desconhecidas, águas que estão esquentando”, declarou. Ele reforçou que não há tempo a perder e que é preciso uma corrida contra o tempo para agir diante das mudanças climáticas e proteger a população.
Apesar de ser um fenômeno natural e cíclico, o El Niño tem se tornado mais forte nas últimas décadas por causa do aquecimento global. Uma pesquisa publicada na revista Science mostrou que os eventos dos últimos 40 anos foram 36% mais intensos do que os registrados entre os anos 1000 e 1850. A autora principal do estudo, J.C., professora da Universidade de Michigan, explicou que não há precedentes históricos para a intensidade atual, que acompanha o aumento da temperatura média do planeta.
Duração e intensidade do fenômeno
De acordo com a OMM, a chance de o El Niño persistir entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027 é de praticamente 100%. Os dados mostram que a temperatura do Pacífico equatorial, área onde o fenômeno se origina, ficou 1,5 °C acima da média entre maio e julho, subindo para 2 °C ao longo de julho. Entre o fim de julho e meados de agosto, o aumento variou entre 2,2 °C e 2,6 °C, o que confirma a contínua intensificação.
O calor também se acumula abaixo da superfície do oceano. Em algumas áreas do Pacífico equatorial, as temperaturas subsuperficiais ficaram mais de 8 °C acima do normal em julho e no início de agosto, criando condições para que o El Niño ganhe ainda mais força nos próximos meses.
Riscos para comunidades e economias
A secretária-geral da OMM, C.S., alertou que, apesar do nome aparentemente inofensivo, o El Niño pode causar grandes prejuízos. “Somos testemunhas das perturbações e da devastação que causam secas e inundações e, segundo as previsões, esses efeitos se agravarão”, disse. A agência da ONU destacou que o fenômeno atual já supera qualquer registro dos últimos 150 anos, o que pode resultar em impactos ainda maiores do que os projetados, com riscos de enchentes, estiagem e calor extremo.
Cenário para o Brasil
No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou, em parceria com órgãos do governo federal, as previsões para os próximos meses. A Região Sul, principalmente o Rio Grande do Sul, além de partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul, deve registrar chuvas acima da média histórica. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste e áreas do Brasil Central e do Sudeste, como Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, podem enfrentar um período mais seco.
O El Niño intenso também deve atrasar a transição da estação seca para a chuvosa na Amazônia Legal e no Pantanal, que normalmente ocorre entre setembro e novembro. As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, embora ainda haja possibilidade de dias frios em setembro. A combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões Central e Norte aumenta o risco de queimadas.
Os especialistas reforçam que o monitoramento contínuo é essencial para mitigar os efeitos do fenômeno, que promete ser um dos mais severos já registrados, com consequências diretas para a agricultura, os recursos hídricos e a saúde pública.
